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	<title>O inteiro é mais que a simples soma de suas partes</title>
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		<title>A questão ecológica</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:10:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre uma percepção de ecologia como conjunto de conceitos, teorias e práticas que expliquem o funcionamento da Vida, desde sua origem, até os dias atuais e futuros, a pretensão de estabelecer outros modelos de desenvolvimento por via política é que entendo por questão ecológica. Tendo em vista que toda a decisão técnica deve ser tomada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecomanifesto.wordpress.com&amp;blog=8776022&amp;post=741&amp;subd=ecomanifesto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Sobre uma percepção de ecologia como conjunto de conceitos, teorias e práticas que expliquem o funcionamento da Vida, desde sua origem, até os dias atuais e futuros, a pretensão de estabelecer outros modelos de desenvolvimento por via política é que entendo por questão ecológica. Tendo em vista que toda a decisão técnica deve ser tomada de forma política, logo, deve ser discutida de forma política. A questão ecológica deve ter seu debate tão popular quanto novela ou futebol. O futuro de nossos descendentes nós estamos traçando com nossas escolhas de progresso. A tecnocracia capitalista é estéril. Alimenta uma sociedade atônita e insatisfeita. O debate e militância da questão ecológica se fazem necessários, somente assim atingiremos o nível de conscientização, que é consciência mais ação, para concretizarmos transformações estruturais significativas em nossa sociedade global.</p>
<p style="text-align:justify;">Após insucesso esperado da COP15 temos agora a concretização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, que este ano está sobre forte influência da campanha eleitoreira para presidência do país. Se nem ao menos nas convenções para criarmos alternativas ao atual modelo de crescimento econômico conseguimos realmente nos organizar, o que restará de nossas lutas diárias. Surpreendi-me com a falta de unidade  inerente ao movimento ambientalista. Parece que a ideia de quem realmente comanda os movimentos sociais é que a estrutura não evolua para não ganhar autonomia. Enquanto não conseguirmos descentralizar a atuação de nosso movimento, dificilmente teremos força para agir nos momentos necessários.</p>
<p style="text-align:justify;">A cada dia que passa fico cada vez mais emocionado e esperançoso com nosso destino como sociedade. Os alertas do desequilíbrio ambiental estão por toda a parte, principalmente nos cinemas. Em ensaio sobre o filme Avatar, o professor Milton Mendonça Jr. do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da UFRGS, aborda a questão ecológica de forma pragmática e atual. Analisando o problema da questão populacional deixa-nos o alerta de que teremos que mexer em situações delicadas para encararmos as atuais mudanças ecológicas. A questão não se restringe apenas ao clima, mas sim, sobre todo o nosso modelo de “progresso”. Desde nossas instituições religiosas como econômicas e políticas estão embasadas em uma concepção antropocêntrica, o que gera o grande cisma ecológico.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sabemos quantificar o valor econômico da estabilidade da Vida da Terra, ao invés disso, quantificamos sua exploração como lucro e riqueza. Se fosse  uma conta de banco seria como eu retirasse todo meu dinheiro, me endividasse e achasse que estivesse mais rico. Nosso sistema econômico não tem nada a ver com o sistema ecológico da Terra, enquanto um é uma invenção humana o outro é uma manifestação universal. Qual deveria ser subordinado ao outro? Será que não deveríamos rever nosso sistema humano e adequá-lo ao sistema terrestre? Mas para isso teríamos que ter humildade e nos aceitar como mais uma espécie dentre todas as outras vivas. Aprendermos a amar a Terra como nossa parte e não apenas nossa morada. O destino da Terra é o nosso destino, ela não é uma coisa, ela está viva.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem tem o poder para transformar o mundo? O que realmente necessita ser transformado? Não seríamos nós mesmos? A humanidade em consenso num equívoco criou o atual modelo de crescimento. E segundo o psicanalista Erich Fromm, o consenso em um erro não faz dele uma verdade. A doença que assola maior parte dos integrantes da sociedade é conhecida em inglês pela sigla TINA (There Is No Alternative) que significa: não há alternativa, ou seja, a alienação completa. Essa percepção de que estamos em um caminho equivocado e não fazemos nada para mudar é um sintoma de doença mental. Logo, aqueles que apesar de terem de viver no atual sistema o negam e o tentam transformar não são os loucos ou doentes, mas sim os sadios.</p>
<p style="text-align:justify;">Sinto que nosso planeta não esteja doente, mas sim a humanidade que está enferma. Gaia, a mãe Terra, sabe ser rígida com seus filhos. Temos projeções que veremos grandes catástrofes ambientais para os próximos anos, tanto que Lovelock em seu último livro, <em>A Vingança de Gaia, </em>trata desta e outras questões. Mas diferente de Lovelock não vejo Gaia tão severa assim, ela apenas está agindo conforme as leis nas quais fora desenvolvida. A lei da causalidade é que está gerando os cataclismas ambientais de nossa era. Extrapolamos o limite de equilíbrio do sistema terrestre e teremos que ser responsáveis por suas consequências. Esta situação se explica pelo conceito de interdependência do homem com a Terra, uma visão holística da relação homem e meio, onde um está interconectado ao outro.</p>
<p style="text-align:justify;">Em tempos de FSM fica a pergunta no ar: Outro mundo é possível? Vejo que se seguirmos fragmentados como movimento social dificilmente veremos os resultados de nossas lutas. Enquanto não houver uma unificação de ideais e um consenso no problema, teremos a dificuldade de passar adiante nossa mensagem. Temos milhares de pessoas que acreditam no FSM, mas outras tantas acham que é apenas motivo para festas e discussão de sonhos. Vamos ver o que sai de concreto do Fórum Social Mundial deste ano, tenho a esperança que existam pessoas capazes de estipular e estimular este outro mundo. Mostrando para toda a sociedade que sim, existem alternativas.</p>
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		<title>The Power of One</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 17:07:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Araújo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[One Earth.org<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecomanifesto.wordpress.com&amp;blog=8776022&amp;post=692&amp;subd=ecomanifesto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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		<title>De Olho em Copenhague</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 00:45:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Araújo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O destino de nossa civilização está em discussão na Conferência das Nações Unidas, em Copenhague, Dinamarca, que versa sobre mudanças globais do clima. Neste encontro países ricos e os chamados países em desenvolvimento discutirão acordos para evitar o aumento da temperatura da Terra em mais de 2ºC em relação à era pré-industrial. O principal responsável pelo aquecimento global segundo a comunidade científica é o aumento da emissão de CO2 na atmosfera, gerada principalmente pelo uso de combustíveis fósseis e no caso do Brasil, devido ao grande índice de desmatamento e queimadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Será que os líderes mundiais estão prontos para encarar esta que é a maior crise que a humanidade já enfrentou? Muito temos ouvido falar sobre o desenvolvimento sustentável, a preocupação com as gerações futuras e tudo mais. Entretanto a definição em voga de desenvolvimento sustentável não nos diz como atingir este tão esperado futuro ecológico. Vemos isso sim, empresas altamente poluidoras considerando-se sustentáveis por realizarem um programa de separação de resíduos e aulinhas de preservação da água e energia. Para a Terra desenvolvimento sustentável é algo muito mais profundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Tendo como base a teoria de Gaia do físico britânico James Lovelock, onde a Terra é um grande organismo vivo, temos uma noção bem diferente de sustentabilidade. Para Gaia, ou o organismo Terra, manter as condições possíveis para a manutenção da vida, um sistema harmônico funciona a milhares de anos. Antes do surgimento das plantas na superfície da Terra a atmosfera quase não possuía oxigênio em sua formação. Somente pela capacidade dos vegetais de absorver CO2 e liberar como resultado de sua fotossíntese o oxigênio é que foi possível para os animais se desenvolverem em terra firme. Temos aí um sistema interconectado, onde o impacto de uma espécie reflete no sistema inteiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Com esta percepção de sistema vivo, um desenvolvimento sustentável deveria se ater a questões mais profundas como a resignificação de riqueza e progresso. Lendo o livro Garimpo ou Gestão de Lutzenberger entrei em contato com ideias muito interessantes como a análise de nosso modelo atual de civilização. Medimos nosso progresso e riqueza pelo índice econômico chamado Produto Interno Bruto, ou PIB. Enquanto não mudarmos os parâmetros que nos informam nosso índice de desenvolvimento, teremos a distorcida visão de progresso. O PIB representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região num período determinado. Nada nos diz do real estado de conservação da natureza e qualidade de vida dos cidadãos. Como por exemplo, na produção de alumínio, que o Brasil é um grande exportador.</p>
<p style="text-align:justify;">Extraímos bauxita, através da mineração, e para produzir o alumínio necessitamos grandes quantidades de energia, sendo assim, grandes áreas são alagadas na construção de hidrelétricas. Tudo isso para exportar uma matéria prima de baixo valor agregado. Se analisarmos os índices econômicos, como o PIB, o país está mais rico, mas se analisarmos concretamente estamos mais pobres como nação. Quem sai ganhando são os compradores deste alumínio que não tem de arcar com os altos impactos que este sistema produz. Outro exemplo que aprendi com Lutzenberger é o de um acidente aéreo, onde o PIB apenas analisa o fluxo monetário gerado por tal tragédia. Como no caso do acidente da TAM em 2007, os índices econômicos não souberam considerar as perdas qualitativas, as vidas. Ou seja, índices econômicos, como o PIB, não nos dizem nada sobre o real estado de vida dos cidadãos. E podemos até dizer que quanto mais aumenta o PIB, mais diminui nossa qualidade de vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Vejo que os líderes mundiais têm de perceber que a economia humana faz parte da economia da Terra. Estes dois sistemas devem estar em harmonia caso contrário estaremos tomando apenas medidas paliativas. Enquanto o sistema humano se baseia em um fluxo linear de materiais, a Terra funciona ciclicamente, ou seja, nós extraímos da natureza, criamos produtos feitos para serem descartados em curto período de tempo, com o uso de energias não renováveis e os descartamos em aterros sanitários ou lixões, enquanto a Terra recicla todo o material e utiliza a energia solar. O sistema humano não é suportável para o sistema terrestre.</p>
<p style="text-align:justify;">Necessitamos de um modelo de desenvolvimento que leve em consideração os bilhões de anos de experiência bem sucedida que a Terra nos apresenta. Não podemos resolver um problema com a mesma lógica que o criou. E é isto que está sendo discutido em Copenhague nesta semana. Mecanismos como o mercado de carbono  não irão solucionar nossos problemas. É como medicar um paciente com câncer cerebral com remédio para dor de cabeça. Temos uma ótima animação que fala sobre este tema, intitulada <a href="http://www.storyofstuff.com/capandtrade/" target="_blank">The Story of Cap and Trade</a>, produzida pela Free Range Studios e o <a href="http://www.storyofstuff.com/">The Story of Stuff Project</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto isso se vê aqui no estado do Rio Grande do Sul a política seguindo esta lógica mercantilista para lidar com o caso do aquecimento global. A visão de nossos legisladores é a de flexibilização das leis ambientais, como o fim da reserva legal e a diminuição das áreas de preservação permanente. Junto disto temos propostas políticas que focam os mecanismos de captação de carbono, principalmente para empreendimentos de reflorestamento. Necessitamos de algo novo, não será fácil, mas é tempo de sonharmos alto. Temos que ao invés de seguirmos a mesma lógica que causou o atual estado, adotarmos uma nova cosmovisão, onde somos partes integrantes da Terra e não seus donos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ecomanifesto.wordpress.com/657/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ecomanifesto.wordpress.com/657/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ecomanifesto.wordpress.com/657/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ecomanifesto.wordpress.com/657/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ecomanifesto.wordpress.com/657/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ecomanifesto.wordpress.com/657/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ecomanifesto.wordpress.com/657/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ecomanifesto.wordpress.com/657/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ecomanifesto.wordpress.com/657/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ecomanifesto.wordpress.com/657/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ecomanifesto.wordpress.com/657/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ecomanifesto.wordpress.com/657/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ecomanifesto.wordpress.com/657/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ecomanifesto.wordpress.com/657/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecomanifesto.wordpress.com&amp;blog=8776022&amp;post=657&amp;subd=ecomanifesto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>The Story of Cap and Trade</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 18:01:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Araújo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://ecomanifesto.wordpress.com/2009/12/12/the-story-of-cap-and-trade/"><img src="http://img.youtube.com/vi/pA6FSy6EKrM/2.jpg" alt="" /></a></span></strong></p>
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		<title>Insegurança Alimentar</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 05:28:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura ecológica]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[dia 21 de outubro]]></category>
		<category><![CDATA[FAO]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[Lutzenberger]]></category>
		<category><![CDATA[transgênico]]></category>
		<category><![CDATA[trofobiose]]></category>

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		<description><![CDATA[É com pesar que chegamos à marca de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo. Em estudo divulgado pela FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nation), somente na América Latina e Caribe, 53 milhões de pessoas sofrem de fome crônica. Este estado mundial é reflexo de nossas escolhas, nosso modelo de desenvolvimento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecomanifesto.wordpress.com&amp;blog=8776022&amp;post=463&amp;subd=ecomanifesto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">É com pesar que chegamos à marca de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo. Em estudo divulgado pela FAO (<a href="http://fao.org">Food and Agriculture Organization of the United Nation</a>), somente na América Latina e Caribe, 53 milhões de pessoas sofrem de fome crônica. Este estado mundial é reflexo de nossas escolhas, nosso modelo de desenvolvimento deve ser revisto. A produção de commodities e não a de alimentos é que impulsiona a economia de países como o Brasil.</p>
<p style="text-align:justify;">Em meados dos anos 60 e 70 passamos pela chamada Revolução Verde, com a promessa de aumentar a produtividade e a diminuição do manejo. Sim, aumentamos a produção e trocamos o manejo tradicional por manejos químicos, e hoje vemos, cada vez mais, a dependência dos pequenos e médios agricultores das grandes transnacionais. A biotecnologia, a maquinaria pesada e o uso de fertilizantes e agrotóxicos levou a uma verdadeira crise no meio rural. Uma crise ecológica, que abrange o social e o ambiental.</p>
<p style="text-align:justify;">O vínculo que essa metodologia de cultivo produz é doentio. Como é no caso dos transgênicos, onde o agricultor é convencido que alcançará maior produção e rentabilidade se cultivar monocultura de uma semente modificada geneticamente. O grande problema em questão não é a tecnologia em si, mas sim os efeitos socioambientais que são gerados por este sistema. Em reação a isto, no dia 21 de outubro, foi realizada uma manifestação no centro de Porto Alegre para marcar o dia nacional de luta contra os transgênicos.</p>
<p style="text-align:justify;">A questão da segurança alimentar é de fundamental importância para a estratégia de uma nação. Nosso atual modelo de desenvolvimento agrícola se concentra na produção de grãos para exportação, e não de alimentos para a população. O sistema da agroindústria utiliza grande quantidade de insumos químicos, onde, segundo estudo da consultoria alemã Kleffmann Group, o Brasil já é o maior mercado de agrotóxicos do mundo. Este atual modelo de agricultura não está sendo capaz de resolver o problema da fome crônica no mundo, além de estar causando um novo êxodo rural, condensando as terras nas mãos de grandes corporações transnacionais.</p>
<p style="text-align:justify;">Para resolver o problema temos que adotar outra postura. Já estão sendo desenvolvidas diversas experiências no campo da agricultura ecológica ou regenerativa. Nesse contexto, há uma teoria que traz um novo alento para este modelo de cultura, é a trofobiose. Em estudo feito por José Lutzenberger, as plantas cultivadas em um solo sadio, com vitalidade, não sofrem os mesmo ataques de &#8220;pragas&#8221;, como no sistema de monocultivo, com o uso de insumos químicos.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa teoria propõe que os aditivos químicos, tais como os adubos (sais solúveis concentrados) e os agrotóxicos, alteram a síntese de proteínas das plantas, causando uma desarmonia no metabolismo do vegetal. Sendo assim, elas se tornam doentes e carregadas de aminoácidos livres, açúcares e nitratos. Estes são os alimentos preferidos de fungos, bactérias, ácaros, nematóides e insetos. Em um sistema agrícola manejado de forma ecológica o solo possui fundamental importância. Na agricultura moderna o solo é apenas um suporte para a cultura produtiva.</p>
<p style="text-align:justify;">Técnicas simples como adubação verde, que consiste no cultivo de plantas – gramíneas, leguminosas, ervas nativas, arbustos ou árvores – que enriquecem o solo com nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, enxofre e micronutrientes; mais a adubação mineral com produtos de solubilidade lenta, como pó de rochas e restos de mineração, aliados à adubação orgânica – que é o uso de esterco curtido, compostos fermentados, cobertura morta –; junto com o uso de defensivos naturais, formam um sistema de cultivo que não pode ser patenteado por nenhuma grande, média ou pequena empresa. Tais técnicas podem representar a liberdade do agricultor. Além de cooperar com a Natureza, tais métodos podem ser uma alternativa para o pequeno e médio produtor se manter no campo de forma justa e digna, e assim cultivar alimentos saudáveis para a população mundial.</p>
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